terça-feira, 25 de junho de 2013

Aniversário da Independência de Moçambique

BANDEIRA MOÇAMBIQUE
Há 38 anos, foi içada, pela primeira vez a bandeira da independência nacional.Moçambique tem de (re)construir-se e reinventar-se a partir de uma determinação inabalável que se exprima pela capacidade não só de pensar o futuro no presente, mas também de organizar o presente de maneira que permita actuar sobre esse futuro, colocando os cidadãos no posto de comando.

terça-feira, 18 de junho de 2013

SILÊNCIOS QUE GRITAM (XI) –MIGRANTES SOMOS TODOS

 

SILÊNCIOS QUE GRITAM

O trabalho manual por oposição à chamada actividade simbólica – o trabalho, e não o sexo, está a tornar-se cada vez mais o lugar de indecência obscena que deve ser ocultada dos olhares dos outros. Lá, onde o processo produtivo se desenvolve debaixo da terra, em cavernas escuras, culmina hoje nos milhões de trabalhadores anónimos que transpiram nas fábricas do Terceiro Mundo, desde os gulags chineses às linhas de montagens indonésias. Face à sua invisibilidade, o Ocidente pode dizer que a chamada classe trabalhadora está a desaparecer. A verdade é que está apenas a desaparecer daqui. (Slavoj Zizek)

Acossados por governos politicamente indigentes e ao serviço do neo-liberalismo, os trabalhadores europeus (portugueses, espanhois,gregos) engrossam o exército mundial de reserva e manifestam, no quotidiano das suas existências, a repulsa por uma política de terra queimada dirigida a aprofundar o abismo entre as condições de vida dos países ricos e pobres, e estimular o conformismo, o espírito de rebanho, e a decisão de migrar - última oportunidade para se libertar da espiral de miséria e reencontrar a esperança de viver com dignidade.

As políticas de austeridade aplicadas simultaneamente na maior parte dos países da União Europeia contribuem para a espiral recessiva mundial.

A Primavera árabe foi o rastilho que nos devolveu a confiança em nós e na capacidade colectiva para mudar a actual ordem de coisas e romper com o cepticismo, a resignação e a apatia dominantes

Este fenómeno, transversal a todos os continentes, despertou para a luta milhões de trabalhadores até então mergulhados numa passividade ultraconservadora. Se o capitalismo é global , consequentemente, as resistências ao mesmo tem que ser globais, internacionalistas e solidárias.

O futuro dos trabalhadores e dos jovens depende, na opinião de François Chesnais, em grande medida, senão inteiramente, da capacidade para abrir espaços e criar “tempos de respiração” políticos próprios, a partir de dinâmicas que hoje só eles podem mobilizar. Estamos numa situação mundial na qual o decisivo passou a ser a capacidade destes movimentos – nascidos sem aviso – se organizarem de tal modo que conservem uma dinâmica de “autoalimentação”, inclusive em situações nas quais não existam, no curto prazo, desenlaces políticos claros ou definidos.

O nosso futuro, depende da nossa acção enquanto cidadãos atentos. Todas as mudanças transformadoras da sociedade, sempre foram produto de lutas assumidas, muitas vezes, por pequenos grupos sem expressão eleitoral.

Sem a iniciativa dessas minorias, enquanto agentes mobilizadores da sociedade, não há mudança possível. Estas lutas, em nome das legitimas preocupações dos cidadãos, acabam por arrastar as “maiorias silenciosas”, (no início), até serem consagradas pelo voto universal, que sempre vem depois – nunca antes – da vitória, como afirma Samir Amin.

Os direitos humanos pressupõem precisamente que somos alguém independentemente do nosso lugar em oposição à metáfora organicista do fascismo onde a chave para manter a ordem é que cada pessoa permaneça no seu lugar, sendo que as coisas correm mal quando as pessoas querem participar directamente na dimensão universal.

Hoje em dia ninguém fala da classe trabalhadora, mas existe, apesar de tudo, outro termo – trabalhadores imigrantes, imigrantes que funciona como uma espécie de deslocamento metafórico. (Slavoj Zizek)